Ex-líderes do Movimento da “Cura Gay” agora querem sua proibição

Ex-membros de organizações que defendiam a terapia de conversão da homossexualidade, se juntaram aos grupos LGBTs e pedem a proibição das “terapias”.

Yvette Cantu Schneider passou pouco mais de uma década como ativa participante e líder em um grupo que apoiava a terapia de conversão da homossexualidade. Em outras palavras, ela passou anos trabalhando para convencer homens e mulheres de que eles poderiam deixar de serem Gays, Lésbicas ou Bissexuais, através de uma “terapia” de supressão.

Mas, em 2010 ela começou a ver as coisas de maneira diferente. Na época, Schneider não compartilhava seus sentimentos com seus colegas, mas no mesmo ano, ela foi demitida do seu cargo como diretora do ministério das mulheres na Exodus International, uma organização líder na conversão da orientação sexual, que fechou em 2013.

“Eu percebi que ninguém estava realmente dizendo: ‘Eu sou hétero’”, explica ela, referindo-se a ineficácia do pós-tratamento dos clientes da Êxodo.

Schneider, agora com 48 anos, percebeu que simplesmente deixar o movimento não era o suficiente. Na segunda-feira passada, em uma carta aberta publicada pela GLAAD, ela se desculpou oficialmente por seu envolvimento no movimento anti gay. E nesta quinta-feira, ela se juntou aos outros oito ex-líderes do movimento de “cura” Gay para, formalmente, se posicionarem contra a prática controversa apoiarem uma proibição generalizada da prática.

“Nós sabemos, em primeira mão, o dano emocional e espiritual terrível que isso pode causar, especialmente para os jovens LGBTs”. Em carta aberta divulgada pelo Centro Nacional de Direitos Lésbicos (NCLR) o grupo diz: “Acreditávamos que havia algo moralmente e psicologicamente errado por ‘estarem’ LGBT. Mas nós sabemos melhor agora.”

Os ex-dirigentes de grupos de “cura” Gay, incluindo Schneider, Brad Allen, Michael Bussee (ex-Exodus International), Darlene Bogle (fundadora do Paraklete Ministries), Catherine Chapman (ex-Portland Fellowship), Jeremy Marks (fundador do Êxodo Europa e Courage UK), Bill Prickett (fundador da Coming Back), Tim Rymel e John Smid (ex Love in Action), estão se juntando ao Centro Nacional de Direitos Lésbicos e a campanha “#BornPerfect” (Nascido Perfeito), que visa proibir as tais terapias de conversão.

“Terapia de conversão reforça a homofobia internalizada, ansiedade, culpa e depressão. Isso leva a auto aversão e a danos emocionais e psicológicos, já que a mudança não acontece. Estamos agora unidos e convictos de que a terapia de conversão não é uma “terapia “, mas, em vez disso, é ineficaz e prejudicial.”

Atualmente, a Califórnia e Nova Jersey são os únicos dois Estados que têm leis para proibir a prática da “cura” à homossexualidade de menores de idade – um parlamentar no Michigan apresentou um Projeto de Lei semelhante na semana passada. Em contrapartida, o Partido Republicano do Texas aprovou formalmente tratamentos de “conversão” de Gays em sua plataforma oficial em junho. No entanto, a Associação Médica Americana, as Associações Americanas de Psicologia e Psiquiatria, a maioria dos médicos e importantes organizações profissionais de ciências se opõe à terapia e à ideia de que a homossexualidade é “curável”.

“A ideia de que a homossexualidade é um transtorno mental, ou que o surgimento da atração pelo mesmo sexo e da orientação entre alguns adolescentes é anormal ou insalubre não tem apoio entre os profissionais de saúde e de saúde mental e organizações profissionais tradicionais”, diz um folheto da “American Psychological Association”.

Michael Bussee, cofundador da Exodus International, que tem falado contra a terapia de conversão desde 1989, diz que a posição dos ex-líderes pró “cura” Gay, é um passo importante. Para ele agora seus esforços devem ser focados em educar o público e acabar com essa prática de uma vez por todas.

“Haverá quem fique, compreensivelmente, chateado, mas os líderes não podem desfazer o mal que causaram”, diz Bussee que, em 2007, pediu desculpas publicamente por seu trabalho no movimento, que durou de 1976 até 1979. “Tudo que podemos fazer é dizer que este dano precisa parar!”

Fonte: Nossos Tons

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