Pastor celebrará culto transformado em drag queen

Esta noite, o culto do pastor Marcos Lord será como todos os outros. As mesmas orações, a Bíblia sobre a mesa e a sala cheia de fiéis. A única diferença é que o pastor não vai aparecer com as suas roupas tradicionais. Ele vestirá uma saia, terá cabelos longos e maquiagem colorida no rosto.

Pastor e presidente da Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM) Betel, em Irajá, Marcos Lord se transformou em drag queen pela primeira vez numa parada gay, em 2011. Ao contrário do esperado, sua igreja não o condenou.

“A ICM Betel é inclusiva. A nossa crença é que Deus não exclui ninguém. Criei a Luandha e fui para a parada vestido de noiva para pedir a aprovação do casamento gay. Ela já apareceu em eventos da igreja, mas é a primeira vez que ministrará um culto”, disse o pastor, de 36 anos.

Nascido em uma família evangélica, em Caxias, Marcos cresceu frequentando igrejas que condenavam a homossexualidade. Reconhecia os seus desejos, mas preferia reprimi-los. Chegou a ficar noivo. Até se envolver com um “ex-gay”.

“ Contei para o pastor da minha antiga igreja e ele praticamente me amaldiçoou. Fui expulso de casa. Passei anos achando que ia para o inferno até me apresentarem a Betel”, contou Marcos, que também é professor de uma escola primária.

Após vencer o preconceito, percebeu que o culto seguia a mesma linha dos outros. A diferença estava no público e na falta de restrições. Nas paredes da igreja, cartazes defendem a união homoafetiva e o direito das mulheres de usarem o corpo como querem.

“Só pedimos que as pessoas respeitem os princípios básicos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como se a si mesmo. Você pode beber, só não pode prejudicar o outro com isso”.

A tolerância se estende às religiões. Eles não condenam as crenças africanas, nem o uso de símbolos. E se uma pessoa chegar com uma blusa de São Jorge no culto?

“Pode, de preferência com muitos paetês! …É um protesto político, religioso e feminista…”

“A Luandha é maravilhosa para mim por dois motivos. Primeiro, é um grito de protesto. Político e religioso. Tem igrejas que fecham a porta da salvação para tantas pessoas… Elas colocam as suas próprias regras como se fossem as Dele. Não é assim, Deus ama a todos. Inclusive as drag queens. Além disso, ela me fez conhecer a minha personalidade feminina. E é aí que está o perigo. As pessoas que agridem os homossexuais não atacam aqueles que não dão pinta. Eles vão atrás dos que liberam a sua feminilidade. Por isso, acredito que a homofobia está intimamente ligada à misoginia. É uma atitude bem antiga da nossa sociedade machista.”

Fonte: extra

 

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