Mariele e Marcia: “Cabe a nós, homossexuais, saber conquistar nosso espaço na sociedade”

Pensando na participação e na justa inclusão dos homossexuais, postamos aqui esta matéria publicada pelo jornal “A Notícia” que mostra duas mulheres que são dois exemplos da luta pela conquista de seus direitos na sociedade.

O Dia Internacional da Mulher é lembrado pela luta das mulheres para conquistar, definitivamente, o seu espaço na sociedade. Mariele e Marcia são dois exemplos destas mulheres. Com uma orientação sexual “diferente” do que dita a sociedade atual, elas formam o primeiro casal homoafetivo da região a formalizar o seu relacionamento, quando casaram no ano passado, dividindo opiniões, mas, acima de tudo, conquistando o respeito na cidade de Garruchos, onde moram e trabalham. Mariele Silva dos Santos é natural de Garruchos, tem 29 anos e trabalha em uma empresa de segurança. Marcia Salete Panis é natural de Constantina, 36 anos e é funcionária pública. No Dia Internacional da Mulher elas contam a trajetória de seu relacionamento, as mudanças ocorridas depois do nascimento do filho Arthur, hoje com oito meses e o dia a dia de trabalho e estudos.

 AN – Quando vocês iniciaram o relacionamento e que dificuldades enfrentaram no início?

Mariele e Marcia – “Iniciamos nosso relacionamento há quase sete anos, já que estamos de aniversário no dia 22 de março, completando sete anos juntas. O início não é fácil para qualquer casal e ainda mais para um casal homossexual, que para os olhos da sociedade não é normal. A gente nunca se preocupou com as críticas, não nos preocupamos com o que os outros pensam da nossa relação, o importante é como nós duas nos acertamos bem. Curtimos nossa vida, temos nossos amigos e pronto, quem não gosta, paciência! Respeitamos a opinião deles e desde que não desrespeite nossos direitos, está tudo tranquilo”.

AN – Vocês foram o primeiro casal a formalizar a união homoafetiva na região. Como foi a receptividade das pessoas? O preconceito ainda é forte?

Mariele e Marcia – “Nosso casamento foi bastante comentado, como dizem, deu pano pra manga… Acreditamos que muitas barreiras foram quebradas. Primeiro, foi o susto da sociedade de sentir que não é só em cidade grande que existe esse tipo de coisa e que as coisas estão mudando. Bom, em nossa opinião foi muito mais aprovação, de certa forma sentimos o carinho das pessoas que passam por nós, nos cumprimentam, perguntam do Arthur e até presentes ganhamos das lojas em São Luiz. Achamos super tranquilo, claro que ficamos mais expostas, mas não nos arrependemos de nada e acreditamos que essa exposição vai encorajar mais casais a fazerem o mesmo. Agradecemos a cidade de São Luiz pelo carinho que tem conosco e nosso filho. E para aquelas pessoas que ainda acham um absurdo, não estamos aqui para mudar a cabeça de ninguém, só queremos respeito”.

AN – Agora vocês têm um filho. Como é o dia a dia de vocês para se dedicar ao trabalho e ao filho?
Mariele e Marcia – “Nosso filho já esta com oito meses, muito saudável e sapeca. No começo deu correria, mães de primeira viagem… Não foram fáceis os primeiros três meses, quase não dormimos e os olhares eram só pra ele, isso que sempre estamos assessoradas pelas avós. A Márcia, mãe biológica do Arthur, se saiu uma mãezona muito dedicada. Eu (Mariele), como não tive licença maternidade e continuei trabalhando, sobrou o trabalho todo pra Marcia, mas o tempo que tenho fico ao lado dele. Ele já reconhece quando sou eu (Mariele) ou é a Marcia e até agora sentimos que ele não tem preferência, dá os braços para as duas. Estamos muito felizes com nosso pequeno em nossa vida, que deu um giro de 360 graus. Nos amamos muito, mas somos muito mais unidas e temos uma família feliz. Bom, eu (Mariele), trabalho de dia e estudo à noite e fico com ele mais final de semana. A Marcia trabalha na parte da manhã, fica com ele mais tempo e quando não estamos por perto, as avós que cuidam pra gente. O que os outros precisam saber é que ele é um menino muito amado e muito feliz, fazemos tudo que podemos para ver aquele sorriso lindo e todo mês levamos no pediatra e saímos rindo à toa quando o médico diz que ele está bem. Somos mães super corujas”

 Mariele e Marcia: “Cabe a nós, homossexuais,  saber conquistar nosso espaço na sociedade”

 

AN – Vocês vivem em uma cidade muito pequena, que é Garruchos. Como as pessoas aceitam o relacionamento de vocês?

Mariele e Marcia – “Garruchos é uma cidade tranquila para se viver. Não sentimos preconceito quanto a nossa família. A gente provoca muito mais a curiosidade do que o preconceito. Claro que deve ter algumas pessoas que nos criticam, mas podem nos criticar desde que não nos desrespeitem, então, esta tudo tranquilo”.

AN – Vocês acreditam que a mulher já conquistou o seu espaço na sociedade e o que pode melhorar neste sentido?
Mariele e Marcia – “Sim, nós mulheres, a cada dia que passa, estamos conquistando cada vez mais espaço, conseguindo fazer valer nossos direitos. Ficamos tristes quando vimos nos noticiários que alguma mulher foi espancada ou violentada, isso nos tira do sério, é muita covardia. Acreditamos que temos que ter mais coragem para enfrentar a vida. Foi-se o tempo que o homem era o alicerce da família, hoje podemos trabalhar, ter nosso próprio dinheiro e não ter que aguentar desrespeito de ninguém”.

AN – Por ter uma opção sexual considerada diferente do que a sociedade impõe, vocês acreditam que foi mais difícil conquistar o espaço de vocês na sociedade?
Mariele e Marcia – “Acreditamos que não foi difícil conquistar nosso espaço, nossa vida sempre vai ser acompanhada por olhares de aprovações e desaprovações. Todo mundo diz a opção sexual, isso não foi opção, se fosse, a gente poderia escolher em casar com um homem, ter filhos, etc… Viver como vivemos não foi escolha nossa. A única coisa que escolhemos é ser felizes e a maneira que somos é assim, diferente do tradicional. Quantas pessoas vivem infelizes por não ter coragem de assumir um relacionamento diferente. A gente paga um preço alto em ser assim: é a exposição, o risco de ser agredidas, de o nosso filho ouvir o que não deve. Conhecemos nossos direitos perante a lei, mas os medos são constantes. Ser homossexual está longe em ser tranquilo. Medos a gente tem, mas também temos muita coragem. Arriscamos tudo pela nossa felicidade, é uma luta diária. O preconceito ainda existe e cabe a nós, homossexuais, saber conquistar nosso espaço na sociedade, fazer valer nossos direitos de saber que nosso direito termina no momento que começa o do outro”.

 Fonte: http://www.anoticia.com
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