Cirurgia para mudança de sexo

Se você não está satisfeito com seu sexo anatômico e deseja fazer a cirurgia de troca de sexo, o primeiro passo é procurar um especialista e um cirurgião. Segundo Edvard Araújo, relator da resolução do Conselho Federal de Medicina, esse especialista pode ser um ginecologista ou urologista, e é o profissional que irá encaminhar o paciente que deseja se submeter à cirurgia. Para fazer a cirurgia de transgenitalização, é preciso passar por um processo de seleção.

 É muito importante deixar claro que qualquer pessoa que procure o SUS, queixando de uma incompatibilidade entre seu sexo anatômico e sentimento de pertencer ao sexo oposto, tem direito à um atendimento humanizado, livre de qualquer forma de discriminação ou preconceito. O usuário pode escolher o nome que prefere ser chamado, independente do nome que consta em sua carteira de identidade. As pessoas que já estão fazendo uso de hormônios por conta própria deverão ser encaminhadas para um médico endocrinologista.

Acompanhamento terapêutico dos usuários

Antes de mais nada, as pessoas que desejam mudar de sexo deverão ser acompanhadas em uma abordagem integra de sua saúde. Os profissionais envolvidos no acompanhamento deverão enfatizar principalmente a inserção e reinserção social dos usuários. Esse acompanhamento não se limita apenas ao diagnóstico e avaliação da pertinência da realização da cirurgia de mudança de sexo, ele também visa um acompanhamento psicoterapêutico.

 Processo para a cirurgia

Qualquer intervenção médico-cirúrgica que vise a mudança de sexo deve seguir os critérios estipulados pela Resolução Nº 1.955/10 do CFM. Em primeiro lugar, deve ser feito o diagnóstico de transexualismo, que deve obrigatoriamente incluir os seguintes critérios:

1)     Desconforto com o sexo do nascimento;

2) Desejo expresso de eliminar os genitais, perder as características primárias e secundárias do próprio sexo e ganhar as do sexo oposto;

3)     Esse desejo e desconforto devem estar presentes no mínimo há dois anos.

4)     Ausência de transtornos mentais.

Quem deseja se submeter à cirurgia de transgenitalismo deverá obrigatoriamente ser avaliado por uma equipe multidisciplinar, composta por médico psiquiatra, cirurgião, endocrinologista, psicólogo e assistente social, após no mínimo dois anos após o diagnóstico médico de transgenitalismo. Além disso, o usuário deverá ser maior de 21 anos e não poderá ter características físicas inapropriadas para a cirurgia.
É importante ressaltar que a cirurgia de transgenitalização deve é apenas um dos vários recursos terapêuticos disponíveis para o processo transexualizador. Outras opções são o uso de hormônios, por longos períodos de tempo, o que exige um acompanhamento de um endocrinologista, que irá acompanhar o paciente e pedir exames periodicamente, com o objetivo de evitar e reduzir danos por efeitos colaterais dos medicamentos. O acompanhamento de pacientes em uso de hormônios também é essencial no sentido de fazer o diagnostico precoce de alterações ósseas e câncer.

Durante o acompanhamento, se o usuário decidir pela cirurgia de transgenitalização, deverá preencher um termo de consentimento livre e esclarecido.

Se eu ficar internado, ficarei numa ala feminina ou masculina?

Em caso de internação, o(a) transexual será internado(a) na enfermaria do sexo com o qual se identifica socialmente, e não do nome que conste no registro civil. Ex.: Se eu me identifico como mulher, ficarei na ala feminina.

E após a cirurgia?

Para o sucesso da cirurgia, é essencial um acompanhamento psicológico. Antes da cirurgia, o acompanhamento psicológico é essencial para verificar se a pessoa que deseja fazer a cirurgia está mesmo preparada para a mudança, que é definitiva. Depois do procedimento cirúrgico, o usuário também necessitará de acompanhamento, afinal a mudança de sexo é uma mudança brusca, que afeta psicologicamente a pessoa. Na grande maioria dos casos, a impressão psicológica do indivíduo em relação ao corpo não acontece tão rápido quanto a mudança física. Para você entender melhor, em casos de amputação de uma perna, por exemplo, o paciente pode continuar a sentir o membro por algum tempo. Isso acontece porque o cérebro do paciente não se dá conta da perda instantaneamente.

Após a cirurgia, o paciente deverá ser acompanhado pelo menos por dois anos, e após esse período, deverá sempre ser atendido prontamente caso deseje retornar à psicoterapia ou um atendimento da assistência social. Também deverá ser realizado um acompanhamento médico periódico.

Por: Dra. Maria Eduarda Bécho Freitas Arger –  CRM-MG 52906 – Médica graduada pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Esta entrada foi publicada em Opinião do especialista e marcada com a tag , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

8 respostas a Cirurgia para mudança de sexo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.