Conheça os atletas LGBT que vão competir nas Olimpíadas do Rio

Em três semanas serão abertos os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. De um lado, o evento já se destaca por uma marca lamentável: seu orçamento já estourou o originalmente previsto em 51%, desperdiçando 1,6 bilhões de dólares. Mas também contará com um recorde muito positivo: estas serão as olimpíadas com o maior número de atletas declaradamente gays, lésbicas, bissexuais, intersexo ou transgênero da história.

O site Outsports realizou um levantamento dos competidores que rumarão para o Rio em agosto e identificou 27 atletas que vivem abertamente sua identidade LGBT. Dentre eles estão 9 homens, outro recorde (atletas masculinos historicamente são mais reticentes a virem a público com sua sexualidade). Há até um casal de lésbicas competindo no mesmo time de hóquei.

Confira a seguir 20 desses atletas:

Ian Matos – Brasil – Saltos ornamentais

Ian Matos

Alguns meses depois de Tom Daley, o saltador Ian Matos também veio a público sobre sua sexualidade em entrevista ao blog LGBT  do jornal O Dia. Esse paraense de 27 anos já foi 3 vezes campeão brasileiro adulto na prova do trampolim de 1 metro. Em entrevista ao programa de TV Globo Esporte, o saltador contou o que o motivou a falar abertamente sobre sua sexualidade: “[Fiz isso] para mostrar que você pode ser gay e ser feliz, que isso não te torna melhor nem pior do que ninguém, só diferente da maioria. (…) Nos casos de suicídio entre jovens e adolescentes, a maioria era homossexual que passava por problemas de aceitação, rejeição, ou algo ligado a religião. Então esse movimento de sair do armário é muito importante para mostrar que ser gay não é a pior coisa do mundo.”

Larissa França – Brasil – Vôlei de praia

Larissa França

Larissa França é natural de Cachoeiro do Itapemirim (ES) e, ao lado da parceira Juliana Silva, conquistou uma posição de destaque no vôlei de praia: venceu sete vezes o Circuito Mundial, duas vezes os Jogos Pan-Americanos e um Campeonato Mundial, em 2011. Em 2012 a dupla conquistou a medalha de bronze. Larissa deu uma pausa na carreira em dezembro de 2012, para realizar o sonho de ser mãe. Casou-se com a também jogadora de vôlei de praia Liliane Maestrini em 2013, e tentou por duas vezes engravidar por inseminação artificial, sem sucesso. Larissa voltou a competir em 2014, agora em dupla com Talita Antunes, com quem se qualificou para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Mayssa Pessoa – Brasil – Handebol

Mayssa Pessoa

Mayssa Pessoa é natural de João Pessoa, e, aos 31 anos, é goleira num time de handebol da Romênia, onde já venceu o campeonato nacional. Com Pessoa, o Brasil conquistou a medalha de ouro no campeonato pan-americano de handebol em 2013 e nos Jogos Pan-Americanos em 2015. Em 2012 aceitou ser madrinha de uma competição LGBT de handebol na França e, em entrevista à revista Têtu, contou que é bissexual. No mesmo ano, durante os Jogos Olímpicos de Londres, criticou o preconceito no mundo do esporte: [O esporte] É muito preconceituoso. Entre os homens, principalmente, muitos têm medo. Mas eu consegui tudo na minha vida e sigo conseguindo, e isso não influenciou. Sou bissexual? Sou. Tenho de aceitar isso, e todas as pessoas me respeitam”. Ela também afirma que há muitos atletas que ainda vivem no armário, mas torce para que “percebam que estão fazendo mal a si mesmos, e também para as pessoas que amam”.

Tom Daley – Reino Unido – Saltos ornamentais

Tom Daley

Tom Daley ganhou os corações mundiais em 2012, durante os Jogos Olímpicos de Londres. Ao fim das competições, foi para casa com uma medalha de bronze nos saltos de 10 metros e uma legião de fãs. No ano seguinte, ele ganhou também o noticiário internacional ao sair do armário em um vídeo e contar para o público que estava namorando o roteirista Dustin Lance Black. Hoje os dois estão noivos, e entre um treino e outro Daley exibe seu corpinho em vídeos de rotinas de exercícios em seu canal no Youtube.

Nicola Adams – Reino Unido – Boxe

Nicola Adams

Há cinco anos que Nicola Adams está entre as melhores boxeadoras do mundo. Quem a vê lutar hoje não imagina que em 2009 seus sonhos quase foram por água abaixo. Nesse ano, a atleta fraturou um osso de suas costas quando tropeçou e rolou escada abaixo, a caminho de seu treino. Adams ficou presa à cama por três meses, e sem treinar por um ano. A boxeadora recuperou-se e, em 2012, tornou-se a primeira atleta declaradamente bissexual a conquistar uma medalha de ouro, durante os Jogos Olímpicos de Londres. Adams acredita que pode servir de exemplo para outros LGBTs: “Sempre fui uma pessoa aberta, e cheguei à conclusão de que poderia ajudar a outras pessoas se eu falasse sobre tudo”, declarou ao site GayStarNews. “O tempo todo durante os Jogos Olímpicos eu não nada além de mim mesma. É ser quem eu sou que inspira as pessoas, então vou continuar sendo assim.”

Edward Gal – Holanda – Hipismo

Edward Gal

Edward Gal conquistou um lugar no hall da fama do adestramento hípico ao ganhar medalhas de ouro no Mundial de Hipismo de 2010 e uma medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 2012 em Londres.. Gal é casado com outro atleta do hipismo, o alemão Hans Peter Minderhoud. O casal não compete entre si, pelo contrário: considera uma bênção as carreiras similares: “É muito divertido estar com alguém que entende exatamente como são as competições e compreende o que você está fazendo”, declarou Minderhoud ao site EuroDressage.com.

Victor Gutiérrez – Espanha – Pólo aquático

Victor Gutiérrez

Em maio desse ano, Victor Gutiérrez contou para a revista espanhola Shangay que é gay exatamente por saber que iria competir nas Olimpíadas do Rio. Esse madrilenho de 25 anos argumentou que atletas LGBT devem ser avaliados “não por sua sexualidade, mas sim por seu mérito esportivo”. Em sua opinião, os atletas LGBT têm a obrigação de viver sua sexualidade abertamente: “tudo seria muito mais fácil se figuras famosas do esporte dessem esse passo… pois seriam capazes de influenciar a opinião de milhões de pessoas, e realizar mudanças muito mais rapidamente.”

Maartje Paumen – Holanda – Hóquei

Maartje Paumen

Essa holandesa de 30 anos atua no meio de campo na mesma equipe que ganhou o ouro olímpico em 2008 e 2012. Maartje Paumen atua na seleção holandesa ao lado de sua namorada, Carlien Dirkse van den Heuvel, e outras duas atletas lésbicas.

Seimone Augustus – Estados Unidos – Basquete

Seimone Augustus

Essa jogadora de 32 anos tem um currículo de dar inveja: venceu o campeonato mundial de basquete de 2014 e duas medalhas de ouro olímpico. Seimone Augustus é uma estrela da WNBA e casou-se em 2015 com LaTaya Varner.

Tom Bosworth – Reino Unido – Marcha atlética

Tom Bosworth

Tom Bosworth é o campeão britânico de marcha atlética, e veio a público sobre sua sexualidade no ano passado. Bosworth, 26 anos, decidiu contar que é gay para por fim a rumores, conforme se aproximavam as Olimpíadas do Rio. “Quando competia localmente, anos atrás, outros atletas me chamavam de ‘bicha’ ou ‘viado’,” relatou à BBC. Atualmente, no entanto, conta com todo apoio de seu time.

Megan Rapinoe – Estados Unidos – Futebol

Megan Rapinoe

Durante os jogos olímpicos de Londres, Megan Rapinoe entrou para o seleto time de jogadores de futebol que já marcou um gol olímpico – ou seja, bateu um escantei em curva e fez um gol. Depois de conquistar a medalha de ouro em 2012, Rapinoe declarou-se lésbica em entrevista à revista Out: “Só para contar, eu sou homossexual. Só não contei antes porque ninguém nunca perguntou diretamente.” Por causa de uma lesão, sua escalação para o time dos EUA nesses jogos olímpicos ainda não está garantida. Ela também atua em grupos de militância LGBT e esportiva.

Robbie Manson – Nova Zelândia – Remo

Robbie Manson

Robbie Manson compete no remo desde os 19 anos, e até por causa disso internalizou muita da homofobia e da hipermasculinidade que vem embutida no esporte. “Eu menosprezava outras pessoas que eram gays… Eu sabia que também era, e me odiava por causa disso”, admitiu em entrevista à Outsports. Manson primeiro contou que é gay para seus familiares, quando tinha 20 anos, e depois para o resto de sua equipe, às vésperas dos Jogos Olímpicos de Londres. “Para minha surpresa, ninguém viu problema. Eu não recebi nenhuma reação negativa, e a maioria das pessoas fez questão de deixar claro que me apoiava… E eu que pensava que não seria capaz de remar mais se alguém descobrisse”. Em novembro do ano passado ele declarou publicamente sua homossexualidade, após ter se qualificado para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Hedvig Lindahl – Suécia – Futebol

Hedvig Lindahl

A Suécia sonha com o ouro olímpico, e uma das pessoas que sentirão o peso dessa responsabilidade é Hedvig Lindahl, 33 anos, a goleira da seleção sueca. Em 2011 ela casou-se discretamente com Sabine, sua esposa, “numa pequena igreja de pedras próxima a Kristianstad, junto de nossas famílias. Muitas colegas de time também estavam presentes.” As duas têm um filho, nascido em 2014. Lindahl ganhou o prêmio sueco de goleira do ano em 2004, 2005, 2009, 2014 e 2015.

Lisa Dahlkvist – Suécia – Futebol

Lisa Dahlkvist

Lisa Dahlkvist é centro-avante da seleção sueca. Depois de passar os Jogos Olímpicos de Pequim no banco de reservas, ela conseguiu entrar em campo durante as Olimpíadas de Londres, antes de sua seleção ser derrotada pela França. Em 2008, ela declarou que é lésbica para uma revista sueca: “nada mais natural que eu estar junto da mulher que amo. Para mim é mais uma questão da pessoa, eu não me apaixono com um sexo.” Agora casada com Camilla, a jogadora comemora mais uma vitória: Moa, a filha do casal.

Caster Semenya – África do Sul – Atletismo

Caster Semenya

Em 2009, essa corredora sul-africana tornou-se razão de polêmica quando a Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF) exigiu que ela fizesse exames para comprovar que seu sexo biológico era feminino. Quando a história veio a público, a carreira de Semenya sofreu um baque. Em julho de 2010, a IAAF permitiu que Semenya voltasse a competir, e nos Jogos Olímpicos de 2012 ela carregou a bandeira da África do Sul durante a cerimônia de abertura. Seus tempos vêm melhorando cada vez mais. Em 2015, ela casou-se com sua namorada, Violet Raseboya.

Angel McCoughtry – Estados Unidos – Basquete

Angel McCoughtry

Angel McCoughtry usou sua conta no Instagram para declarar publicamente sua homossexualidade. No post, ela contava como seu relacionamento com sua noiva, Brande elise, havia causado rupturas com sua família e seus amigos, e até mesmo colocado em risco sua posição num time de basquete na Turquia. “Perdemos amigos, e familiares estão chateados – dizem que eu estou desgraçando minha religião! Só sei é que o AMOR é um sentimento incrível.” McCoughtry fez parte da seleção de basquete que conquistou a medalha de ouro para os EUA em 2012.

Dutee Chand – Índia – Atletismo

Dutee Chand

No ano passado a corredora Dutee Chand obteve uma grande vitória para a inclusão nos esportes quando a Corte de Arbitragem Esportiva decidiu que apenas os níveis de testosterona não poderiam ser um fator determinante para decidir se uma mulher pode ou não competir. Chand sofre de hiperandroginismo, e havia sido desqualificada dos Jogos da Commonwealth de 2014 na última hora, porque o regulamento barrava atletas mulheres com níveis naturalmente altos de testosterona. Vários ativistas dos direitos civis criticaram a maneira como os testes de Chand foram vazados para o público, violando sua dignidade e privacidade. Dutee Chand é a terceira mulher na história da Índia a se qualificar para os 100 metros rasos nos Jogos Olímpicos.

Ari-Pekka Liukkonen – Finlândia – Natação

Ari-Pekka Liukkonen

Ari-Pekka Liukkonen detém atualmente o recorde nacional filandês para os 50 metros livres, modalidade em que vai competir nos Jogos Olímpicos do Rio. Em 2014, com a aproximação dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, na Rússia, o nadador revelou que é gay no canal de televisão YLE, a fim de trazer a discussão sobre as leis russas contra “propaganda gay” para seu país. Na ocasião, ele falou das dificuldades de viver no armário: “é difícil a longo prazo. Eu sempre tinha que prestar atenção no que eu podia dizer e no que tinha que deixar de falar. Eu quero enfatizar que isso não muda a pessoa que eu sou de nenhuma maneira. Eu ainda sou o mesmo AP, que quer bater o recorde dos 50 metros livres um dia.”

Helen Richardson-Walsh e Kate Richardson-Walsh

Helen & Kate Richardson-Walsh

Essas duas atletas são outro exemplo de que a parceria em equipe também pode ser levada para o resto da vida. Kate (36) e Helen (34) fazem parte da seleção britânica. de hóquei, e casaram-se em 2014. Kate, a capitã do time, declarou na época ao canal britânico de TV BBC: “Nós somos um casal, nos amamos, e calha de jogarmos no mesmo time. Somos muito profissionais. quando estamos no hóquei somos Kate e Helen, jogadoras e colegas de equipe. Longe do hóquei somos Kate e Helen, o casal. Não falamos sobre hóquei em casa. Eu sinto muito orgulho de ter crescido ao redor do hóquei, onde sempre houve várias e diversas etnia, religiões, sexualidades e tudo mais. É normal, e tenho muito orgulho disso.”

Durante os Jogos Olímpicos de Londres Kate levou um golpe com um taco de hóquei na cara na primeira partida de sua seleção e fraturou a mandíbula. Apesar das previsões de que isso seria o fim dos Jogos Olímpicos para ela, ela retornou ao campo depois de ficar de fora de apenas duas partidas.

Por Marcio Caparica – Via Lado Bi
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