A longa história de violência em bares LGBT nos EUA

O crime horrendo no clube gay em Orlando é apenas o mais recente dentre incêndios e tiroteios causados pela homofobia e transfobia nas últimas décadas.

O tiroteio na boate LGBT Pulse, que fez mais de 50 vítimas, é apenas o capítulo mais recente numa longa história de violência em bares e casas noturnas LGBT nos Estados Unidos. Desde que pessoas LGBT começaram a se reunir em seus próprios espaços, na verdade, esses ambientes tornaram-se alvos para violência homofóbica e transfóbica brutal.

Até o massacre na boate Pulse, o ato de violência mais conhecido contra um bar gay foi o incêncio do UpStairs Lounge, um bar gay, em 1973. Um criminoso incendiou o estabelecimento, matando 32 pessoas em menos de 20 minutos. A maioria dos políticos na época ignorou o incêndio, e o arcebispo católico de Nova Orleans não ofereceu qualquer tipo de apoio às vítimas. (Em 2013, a arquidiocese pediu desculpas formais por seu silêncio.) Muitos veículos de comunicação ignoraram a história; alguns dos que se deram o trabalho de noticiá-la ridicularizavam as vítimas. Por exemplo, muitos jornais publicaram o depoimento de um motorista de táxi que disse “espero que o fogo tenha queimado o vestido delas”, e vários radialistas perguntavam em seus programas “Como se enterra as cinzas das bichas? Dentro de potes de frutinhas”. Ninguém foi indiciado por esse crime. Quando perguntado sobre a identificação das vítimas, o detetive-chefe do Departamento de Polícia de Nova Orleans respondeu: “Sequer sabemos se esses documentos realmente pertenciam às pessoas que os portavam. Tinha muito ladrão lá, e você sabe, esse era um bar de bichas”.

Em 1997, Eric Robert Rudolph explodiu bombas no Otherside Lounge, uma casa noturna lésbica em Atlanta, e explicou posteriormente que ele acreditava que “o esforço conjunto para se legitimar a prática da homossexualidade” era um “ataque contra a integridade da sociedade norte-americana”. Ele descreveu a homossexualidade como um “comportamento sexual aberrante”, e escreveu que “quando se tenta reconhecer esse comportamento como algo tão normal e legítimo quanto a relação natural entre um homem e uma mulher, deve-se fazer todo esforço para barrar esse esforço, até usar força, se necessário”. Em sua confissão, Rudolph disparou contra a “agenda homossexual” que incluía “casamento gay, adoção por homossexuais, leis que criminalizavam a violência contra gays, ou a tentativa de se normalizar a homossexualidade no currículo de nossas escolas”.

Três anos depois, Ronald Gay metralhou o Backstreet Cafe, um bar gay em Roanoke, Virgínia, assassinando Danny Overstreet, 43 anos, e ferindo gravemente seis outras pessoas. Gay estava com ódio porque seu sobrenome também significava “homossexual” e disse que Deus lhe deu ordens para matar gays. Ele se declarou um “soldado cristão trabalhando por meu Senhor” e declarou em seu julgamento que “desejava ter matado mais bichas”. Mais recentemente, em 2013, Musab Mohammed Masmari ateou fogo ao Neighbours, uma casa noturna gay no bairro de Capitol Hill em Seattle, na véspera de ano novo. Masmari explicou que acreditava que gays “deveriam ser exterminados”.

Esses ataques, é claro, são apenas expoentes entre milhares de crimes de ódio contra LGBTs que ocorrem publicamente todos os anos – em escolas, banheiros e parques, nas calçadas, e muitas vezes em plena luz do dia. A lei federal norte-americana não criminalizava explicitamente atos de ódio contra LGBTs até recentemente, já que o presidente George W. Bush ameaçava vetar qualquer legislação que criminalizasse agressões com base na orientação sexual ou identidade de gênero. Com o apoio do presidente Barack Obama, a Lei de Prevenção contra Crimes de Ódio de Matthew  Shepard e James Byrd Jr. finalmente foi aprovada em 2009. Ela obteve apenas cinco votos do partido Republicano no senado, e seu oponente mais ferrenho, o senador republicano Jeff Sessions, criticou seus colegas por “ceder à causa política do momento”.

Via: Lado Bi

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