Enviado dos EUA diz que Brasil é exemplo da causa gay

O Brasil tem vários exemplos positivos e inspiradores na garantia de direitos da população de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e indefinidos (LGBTI). Esta é a opinião do enviado especial do Departamento de Estado dos Estados Unidos para os Direitos Humanos das Pessoas LGBTI, Randy Berry. Ele conversou com ativistas e autoridades brasileiras sobre o tema.

Após dois dias em São Paulo e um em Brasília, Berry se reuniu, no Rio, com líderes comunitários da Cidade de Deus. “Fiquei muito bem impressionado com o alto nível do trabalho que estão desenvolvendo lá. Voltei muito inspirado com o que vi”, afirmou.

Berry também elogiou serviços prestados por entidades em São Paulo na área de educação e oportunidades de emprego a membros da comunidade que sofreram violência e discriminação.

Segundo Berry, os governos americano e brasileiro têm preocupações e interesses similares. “Estive em Brasília com representantes do Ministério das Relações Exteriores e percebi nas conversas que, nesse tema, Brasil e Estados Unidos estão muito próximos.”

Para ele, os desafios brasileiros também são muito parecidos com os dos Estados Unidos. “Todos os países ainda têm muito que evoluir nessa questão. O mesmo vale para os Estados Unidos. Lá, por exemplo, o número de casos de violência contra membros da comunidade transexual também é significativamente maior do que contra outros membros da comunidade”, disse Berry, que aposta na educação como solução para o problema.

A criminalização da homofobia não é, segundo ele, a melhor opção. “A experiência norte-americana em estratégias legais tem sido no sentido de criminalizar ações de ódio, discursos de apologia à violência. A liberdade de expressão também é um direito muito caro para nós. Então, achamos que educação é a chave para o problema. Ainda temos homofobia, mas acho que combatê-la é parte de um processo de melhoria em qualquer país.”

Em São Paulo, ele conheceu e ouviu relatos de organizações em prol da causa e dos direitos humanos, e participou da Parada Gay. “Nunca vivi nada igual. Foi provavelmente a maior multidão que já vi, e achei que tinha uma energia incrível”, lembrou Berry, ao informar que ainda ouve com dificuldade devido ao estrondo da festa.

Berry não viu a performance da transexual seminua presa a um crucifixo durante a parada, que gerou polêmica nas redes sociais, mas disse que aqui, como em seu país, as pessoas têm direito de se expressar. “Contanto que não promovam a violência, e não prejudiquem ninguém”, acrescentou.

O enviado especial dos Estados Unidos disse ainda que as experiências que conheceu pelo continente foram verdadeiras aulas. Antes do Brasil, ele esteve na Argentina, no Uruguai e no Chile. “Fiquei surpreso com a originalidade e perspicácia de trabalhos desenvolvidos por aqui. E fiquei muito otimista com algumas áreas em que podemos traçar parcerias no futuro.”

“Meu interesse é ver como reunir essas lições e promover o tipo de mudança que realmente queremos no mundo, pois temos ainda muitos irmãos e irmãs LGBT vivendo em circunstâncias muito difíceis em vários países”, completou Berry. Ele informou que, na série de visitas que vem fazendo, parcerias já estão sendo delineadas.

Fonte: sidneyrezende.com

Esta entrada foi publicada em GLBTS News, Notícias do mundo gay, Política e marcada com a tag , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.