Sucesso de público, espetáculo sobre violência e preconceito tem sessões em Porto Alegre

Com a chancela do prêmio de melhor espetáculo, recém-concedido pela Associação dos Produtores de Teatro do Rio (APTR), a montagem Tom na Fazenda chega a Porto Alegre para sessões neste sábado (12) e domingo (13), às 21h, no Teatro Renascença. O espetáculo, que integra o Palco Giratório Sesc, tem ingressos entre R$ 10,00 e R$ 20,00.

Em cartaz desde março do ano passado no Rio de Janeiro e percorrendo festivais pelo Brasil, Tom na Fazenda é sucesso de público e de crítica. Na história, após a morte do seu companheiro, o publicitário Tom (Armando Babaioff) vai à fazenda da família para o funeral. Ao chegar, ele descobre que a sogra nunca tinha ouvido falar dele e tampouco sabia que o filho era gay.

Nesse ambiente rural austero, Tom é envolvido numa trama de mentiras criada pelo truculento irmão do falecido, estabelecendo com aquela família relações de complicada dependência. A fazenda, aos poucos, vira cenário de um jogo perigoso, onde quanto mais os personagens se aproximam, maior a sombra de suas contradições.

A direção é de Rodrigo Portella (o mesmo de Insetos) e apresenta no elenco, além de Babaioff, Kelzy Ecard, Camila Nhary e Gustavo Vaz. É a primeira montagem brasileira da peça do canadense Michel Marc Bourchard, já levada para o cinema no filme homônimo, de 2013, com direção e atuação do celebrado Xavier Dolan. “Ano passado ficamos um ano em cartaz. É um sucesso de público surpreendente, porque trata de uma relação gay, com um personagem central em relação homoafetiva com outro”, relata Portella.

Conforme o diretor, a ideia toda partiu de Babaioff após assistir ao filme. O ator se apaixonou pelo filme e acabou conhecendo o diretor em Montreal. A partir de então, Babaioff costurou a autorização para a montagem brasileira de Tom na Fazenda e também traduziu o texto. Existem diferenças, conforme Portella, entre o filme e a peça. No texto original há muitas camadas de interlocução do personagem principal consigo mesmo, fator ausente da versão cinematográfica. “Ele fala com o namorado, pensa em voz alta. Mantivemos isso na peça, e acho que é um dos nossos grandes trunfos”, avisa o diretor. Não existe humor no filme.

O desenrolar é pesado, frio, por vezes muito violento e desesperançoso. De novo, há diferenças. “Uma coisa é uma fazenda no interior do Canadá, outra bem diferente é no Brasil. A peça tem um pouco de humor, sim, mas as questões ligadas ao preconceito são muitos piores aqui no nosso País”, conta Portella. No palco, o diretor destaca ainda um nível de tensão grande, carregado com um certo erotismo que exala dos personagens. Neste ponto, o filme de Dolan é mais discreto. “Não temos cenário. Apenas um chão frio, com lama, com dois homens se sujando naquilo como se sujassem em uma mentira inventada. Deste modo, existe sexo, existe violência”, relata.

A plateia, ao contrário do que era de se esperar, é bem variada, segundo o diretor. Homens heteros e gays, mulheres heterossexuais, todos estão ali. “Para além da questão homoafetiva, o texto tem essa pegada de abordar contradições, de escancarar a hipocrisia da sociedade. É uma peça para todos os públicos”, conta Portella.

Tom na Fazenda foi encenada pela primeira vez em 2011, em Montreal, no Canadá. A peça conta uma história bastante comum entre jovens de várias gerações, mesmo de culturas diferentes. No Canadá, no Brasil, no Oriente Médio, no Japão ou na África do Sul, homens e mulheres jovens aprendem a mentir antes mesmo de aprenderem a amar. As famílias, guardiãs das normas sobre a sexualidade, garantindo sempre a heteronormatividade, inserem nos próprios membros a semente da homofobia. É isto que Tom na Fazenda, em sua essência, pretende discutir.

Fonte: Jornal do Comércio

 

 

 

 

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