Gilmar vincula incapacidade técnica a homossexuais, diz fundador da Parada Gay

Lideranças de ONGs, associações e movimentos de apoio à causa LGBT reagiram ao comentário do ministro do STF Gilmar Mendes feito em entrevista à Folha de S.Paulo. De Portugal, ele disse acreditar que um suposto processo de desinstitucionalização do país promovido pelo PT tem a ver com “más escolhas [de magistrados] para o Supremo”.

Sem citar nomes, o ministro afirma que foram privilegiadas nas indicações “pessoas ligadas ao movimento LGBT, ao MST, basistas e coisas desse tipo”, e o resultado dessa composição é um “direito penal totalitário”.

As fontes ouvidas pela reportagem, algumas em condição de anonimato, receberam as declarações de Mendes com misto de espanto e revolta. Uma delas avalia que ele faz um “outing” (saída do armário) indireto de colegas e deveria revelar os nomes em vez de fazer suposições.

“Esse é Gilmar sendo Gilmar, sempre contraditório em suas colocações”, afirma o cofundador da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, Nelson Pereira. O comentário do ministro, para ele, não pode ser considerado preconceito velado porque “já é descarado e fora da conjuntura. Vincula uma incapacidade técnica aos homossexuais”.

De Washington (EUA), onde participa de reunião com a Organização Pan-Americana de Saúde, o presidente da Aliança Nacional LGBTI, Toni Reis, relaciona a “avaliação equivocada” do magistrado ao propósito das “fake news” (notícias falsas) de mudar fatos e descontextualizá-los.

“É uma fala descabida. A comunidade já foi acusada de tudo, de destruir famílias e até de contaminar a raça ariana do [líder nazista, Adolf] Hitler. Agora, é de fazer lobby por privilégios”, lamenta Reis.

Segundo ele, nunca houve pressão do movimento gay nas indicações no STF porque “simplesmente não temos esse poder” e “as pessoas estão lá por méritos próprios”.

Ele lembra que o processo de escolha para ministros do Supremo parte do presidente, que indica o nome para a vaga e envia a proposta para validação do senado. “A batata quente, qualquer problema relacionado a essas escolhas, está lá, no congresso”, diz.

A presidente da Comissão da Diversidade Sexual e Gênero da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Maria Berenice Dias, avalia que o ministro “derramou seu fél preconceituoso sobre o segmento, assumindo uma postura desmedida e homofóbica”.

“Os gays sempre são tratados pelo prisma negativo. Causa espanto a fala porque ele votou pelo reconhecimento da união homoafetiva e pelo direito da população trans mudar o registro e, agora, descontextualiza uma questão [a prisão de Lula] para tecer comentários preconceituosos”, afirma Dias, citando votações de 2011 e 2018, respectivamente.

De acordo com ela, é esse tipo de postura que faz “muitos magistrados homossexuais não assumirem sua sexualidade”, por medo de retaliação. “É uma época de obscurantismo, na qual as portas para gays, lésbicas e, principalmente, transexuais, estão fechadas.”

Procurado, o Grupo Grupo Gay da Bahia, um dos mais atuantes na defesa dos direitos LGBT e no projeto de criminalização da homofobia, não quis comentar as declarações do ministro. Um dos porta-vozes do grupo disse que consultaria outras lideranças para formular um comunicado formal, mas desistiu porque, de acordo com ele, “é um momento tenso e de expectativas”.

Fonte: portalodia

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